segunda-feira, setembro 29, 2008

Contra moinhos de vento...


Hoje, dia 29 de Setembro de 2008, faz precisamente 461 anos que Cervantes nasceu. Em Alcalà de Henares, Leonor de Cortinas dá á luz um filho de Rodrigo, cirurgião de profissão.

E perguntam vossas excelências... "o que é que eu tenho a ver com isto?!" Se calhar até nem tem nada, mas eu tenho... foi por conta deste senhor que passei quase um ano a estudar uma obra em Castelhano, quando nunca eu tinha sequer percebido que sabia alguma coisa dessa língua irmã... a verdade é que tive que ler e gostei! Estou obviamente a falar da maior obra literária espanhola de sempre... Dom Quixote de la Mancha!!!

O título original completo era El ingenioso hidalgo Don Quixote de La Mancha, com sua primeira edição publicada em Madrid no ano de 1605.
Parodiou os romances de cavalaria que, na altura, se encontravam em declínio. Nesta obra, a paródia apresenta uma forma invulgar. O protagonista, já de certa idade, entrega-se à leitura desses romances, perde o juízo, acredita que tenham sido historicamente verdadeiros e decide tornar-se um cavaleiro andante. Por isso, parte pelo mundo e vive o seu próprio romance de cavalaria. A história é apresentada sob a forma de novela realista.

A primeira parte de D. Quixote é tipicamente barroca. Cervantes dá a sua própria definição da obra: "orden desordenada (...) de manera que el arte, imitando à la Naturaleza, parece que allí la vence". O processo adoptado por Cervantes - a paródia - permite dar relevo aos contrastes, através da deformação grotesca, pela deslocação do patético para o burlesco, fazendo com que o burlesco apague momentaneamente a emoção, estabelecendo um entrelaçado espontâneo de picaresco, de burlesco e de emoção. O conflito surge do confronto entre o passado e o presente, o ideal e o real e o ideal e o social.

D. Quixote e Sancho Pança representam valores distintos, embora sejam participantes do mesmo mundo. É importante compreender a visão irónica que o romancista tem do mundo moderno, o fundo de alegria que está por detrás da visão melancólica e a busca do absoluto. São mundos completamente diferentes. O fiel escudeiro de D. Quixote é definido por Cervantes como "homem de bem mas de pouco sal na moleirinha". É o representante do bom senso e é para o mundo real aquilo que D. Quixote é para o mundo ideal.

As figuras de D. Quixote, de Sancho Pança e do cavalo de D. Quixote, Rocinante, depressa conquistaram a imaginação popular. No entanto, os contemporâneos da obra não a levaram tão a sério como as gerações posteriores. Passou a ser vista como uma prosa épica de escárnio, em que "o ar sério e grave" da ironia do autor começou a ser bastante apreciado. O herói grotesco de um dos livros mais cómicos tornou-se no trágico herói da tristeza. Contudo, apesar de alguma distorção, a novela de Cervantes começou então a revelar a sua profundidade.


Miguel de Cervantes morreu em 1616, parecendo ter alcançado uma serenidade final de espírito.


Também eu parece que comecei a semana a lutar contra moinhos de vento... talvez seja o sono que me deturpa a visão, mas quer-me cá parecer que do outro lado minha secretária está um moinho de pedra que mais me parece um monstrinho contra o qual eu tenho que lutar... o pior é que já me vão faltando as forças para tal!... Porque é que as pessoas preferem ser as "mouras coitadinhas, assoberbadas pelo trabalho" em vez de aprenderem a delegar?!... É que se querem continuar assim, não se queixem... fonix!!!

1 comentário:

Mãe Pata disse...

Mas não te chegou estudares isso durante um ano??? Tinhas de me recordar dessas aulas fabulosas às quais eu ia tão frequentemente que nem sequer sabia que tinhamos sido colegas nessa cadeira??? Viva a Literatura Espanhola e a excelentissima Professora que nos leccionava