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quinta-feira, setembro 18, 2014

Vesti-me de luzes...














Esta manhã, vesti-me de luzes...
Vesti-me de luzes, para que quando tu chegasses,
Com esse jeito terno,
Com esse sorriso tímido e orgulhoso olhar...
Para que quando chegasses assim, de braços abertos,
Me acendesses para a vida
E me despertasses radiante,
Repleta de vida, iluminada... Completa e esperançosa...
E me desse por inteiro, sem medos, sem reservas
Orgulhosamente a olhar-te de frente,
Porque escolheste incendiar-me a mim... e só a mim.

Não chegaste, não me acendeste em ti... mais um dia, mais uma noite...

terça-feira, agosto 26, 2014

I hope...



I hope you fall in love
With someone who always texts back and never lets 
You fall asleep thinking you're
Unwanted.

I hope you fall in love with someone
Who holds your hand during the scary parts of
Horror movies and burns
Cookies with you when you're
Too busy dancing around the
Kitchen.

I hope you fall in love with
Someone who sees galaxies in your eyes
And hears music in your
Heartbeats.

I hope you fall in love with someone who
Tickles you and makes you smile
On hard days and on easy
Ones.

But beyond all that I hope
You fall in love with someone
Who will never leave you behind
And who will never take you
For granted, someone who
Will stand by you when you're
Right and stand by you
When you're wrong.
Someone who has seen you at your worst
And has loved you
Stil.

I hope you fall in love
With someone who
Kisses you in the rain
And hugs you in the cold and
Wouldn't have you any other
Way.


(roubado do facebook de uma amiga)


I hope I do too...

sábado, fevereiro 08, 2014

PCF - O Livro dos Loucos

Sê o que vive para simplesmente viver – e não o que vive simplesmente até morrer. Sê animal, anormal, louco demente, insano pungente. Sê tu, afinal. Sê tu. Até ao final.
-------------------------
in "O Livro dos Loucos", de Pedro Chagas Freitas

segunda-feira, janeiro 27, 2014

MEC - Reflexões I

Como é que se Esquece Alguém que se Ama?Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está? 
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. 
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução. 
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha. 
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. 
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

quarta-feira, agosto 28, 2013

Lugares



"estivemos juntos nesse lugar, onde ainda estou na minha saudade"

in Marquesa de Alorna

sábado, julho 09, 2011

Fados & Fadistas

quinta-feira, junho 04, 2009

Palma D'Ouro

Jorge Manuel d’Abreu Palma nasceu em Lisboa, a 4 de Junho de 1950, e com apenas seis anos, ao mesmo tempo que aprendia a ler e a escrever, iniciou os seus estudos de piano, realizando, com apenas oito anos, a sua primeira audição no Conservatório Nacional.
(...)
O ano seguinte - 1964 - acabou por ser um ano chave na vida de Jorge Palma, pois marcou uma viragem a nível das suas preferências e práticas musicais, já que abandonou a música clássica, dedicando-se à música pop/rock, familiarizando-se com a guitarra numa base autodidacta.
(...)
A estreia a solo, no formato 45 r.p.m., verifica-se em 1972, com o single "The Nine Billion Names Of God", cujo tema título é baseado em "O Despertar dos Mágicos", um livro de contos, um bocado esotérico, da autoria de Jacques Berger. No mesmo ano realiza a sua primeira viagem transcontinental, que o leva aos Estados Unidos, Canadá e Caraíbas, abandonando os estudos de Engenharia.
(...)
Um ano mais tarde, é editado o seu primeiro single em português, na sequência de um trabalho de (aprendizagem e) aperfeiçoamento na escrita na nossa língua, com o poeta José Carlos Ary dos Santos, ao que se segue o regresso aos Estados Unidos da América, e também, as primeiras encomendas de composição e orquestração para outros intérpretes.
Foi também em 1973 que, convocado para cumprir o serviço militar, partiu para o asilo político na Dinamarca, juntamente com a sua primeira mulher (Gisela Branco), que o levou a lavar elevadores e a fazer camas num Sheraton, em Copenhaga, onde através da BBC, veio a saber do que se passara no dia 25 de Abril de 1974, em Portugal, o que o levou a regressar de imediato ao nosso país, com breve passagem por Itália.
(...)

Como alguém um dia disse, "em Jorge Palma sobressai a capacidade de redescobrir a música, de criar uma forma atraente, de exibir sentimentos, explorar emoções, e cativar sempre mais gente, a acompanhar a sua solidão junto ao piano, num misto de querer estar só, mas com todos os outros".

É, sem dúvida, um dos melhores cantores/compositores actuais, um criador com sonhos feitos canções, que consegue cativar diferentes públicos, incluindo um público mais jovem, junto do qual conseguiu criar um grupo de indefectíveis seguidores, isto apesar de durante doze anos não ter gravado qualquer álbum de originais.

E, é este o percurso de Jorge Palma, que como João Gentil definiu, "é quase como uma história de um trovador errante".

Esperamos ansiosamente por novos capítulos.

in http://www.jorgepalma.web.pt/biografia.htm




O nosso Palma está hoje de parabéns... são 59 anos de uma vida mais que cheia... uma vida valiosa, daquelas que não se limita a passar pela terra, mas que marca e deixa rasto. O teu perfume há-de ficar sempre, vás tu onde fores... e nós teremos sempre o privilégio de poder seguir o teu espírito, estejas tu onde estiveres.

Da mesma maneira que é difícil escolher uma música, também é complicado escolher uma foto... excluindo todas aquelas que funcionavam muitas vezes, não só como expressão, mas acima de tudo como provocação, optei por colocar a mais simples de todas: as mãos daquele que escreve, daquele que compõem, daquele que toca... não só as teclas do piano e as cordas da viola, mais do que isso, as vidas de quem tem o prazer de sentir a sua essência!

Quanto à música, aquela que me diz mais (e que dificil que foi conseguir chegar a esta conclusão!...)... A Gente vai continuar...





Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar,
A gente vai continuar
Enquanto houver ventos e mar,
A gente não vai parar

terça-feira, maio 19, 2009

Mário de Sá Carneiro

Faria hoje 93 anos...

Verdadeiro insatisfeito e inconformista (nunca se conseguiu entender com a maior parte dos que o rodeavam, nem tão pouco ajustar-se à vida prática, devido às suas dificuldades emocionais), mas também incompreendido (pelo modo com os contemporâneos olhavam o seu jeito poético), profetizou acertadamente que no futuro se faria jus à sua obra, no que não falhou.
Com efeito, reconhecido no seu tempo apenas por uma fina élite, à medida que a sua obra e correspondência foi publicada, ao longo dos anos, tornou-se acessível ao grande público, sendo atualmente considerado um dos maiores expoentes da literatura moderna em língua portuguesa. Embora não tenha a mesma repercussão de Fernando Pessoa, a sua genialidade é tão grande (senão mesmo maior) que a de Pessoa, mas porém muito mais próxima da loucura que a do seu amigo.

Na fase inicial da sua obra, Mário de Sá-Carneiro revela influências de várias correntes literárias, como o decadentismo, o simbolismo, ou o saudosismo, então em franco declínio; posteriormente, por influência de Pessoa, viria a aderir a correntes de vanguarda, como o interseccionismo, o paulismo ou o futurismo.
Nessas pôde exprimir com à-vontade a sua personalidade, sendo notórios a confusão dos sentidos, o delírio, quase a raiar a alucinação; ao mesmo tempo, revela um certo narcisismo e egolatria, ao procurar exprimir o seu inconsciente e a dispersão que sentia do seu «eu» no mundo – revelando a mais profunda incapacidade de se assumir como adulto consistente.
O narcisismo, motivado certamente pelas carências emocionais (era órfão de mãe desde a mais terna puerícia), levou-o ao sentimento da solidão, do abandono e da frustração, traduzível numa poesia onde surge o retrato de um inútil e inapto. A crise de personalidade levá-lo-ia, mais tarde, a abraçar uma poesia onde se nota o frenesi de experiências sensórias, pervertendo e subvertendo a ordem lógica das coisas, demonstrando a sua incapacidade de viver aquilo que sonhava – sonhando por isso cada vez mais com a aniquilação do eu, o que acabaria por o conduzir, em última análise, ao seu suicídio.
Embora não se afaste da metrificação tradicional (redondilhas, decassílabos, alexandrinos), torna-se singular a sua escrita pelos seus ataques à gramática, e pelos jogos de palavras. Se numa primeira fase se nota ainda esse estilo clássico, numa segunda, claramente niilista, a sua poesia fica impregnada de uma humanidade autêntica, triste e trágica.
Por fim, as cartas que trocou com Pessoa, entre 1912 e o seu suicídio, são como que um autêntico diário onde se nota paralelamente o crescimento das suas frustrações interiores.


Fonte:Wikipedia

Álcool

Guilhotinas, pelouros e castelos
Resvalam longemente em procissão;
Volteiam-me crepúsculos amarelos,
Mordidos, doentios de roxidão.

Batem asas de auréola aos meus ouvidos,
Grifam-me sons de cor e de perfumes,
Ferem-me os olhos turbilhões de gumes,
Descem-me a alma, sangram-me os sentidos.

Respiro-me no ar que ao longe vem,
Da luz que me ilumina participo;
Quero reunir-me, e todo me dissipo ---
Luto, estrebucho... Em vão! Silvo pra além...

Corro em volta de mim sem me encontrar...
Tudo oscila e se abate como espuma...
Um disco de oiro surge a voltear...
Fecho os meus olhos com pavor da bruma...

Que droga foi a que me inoculei?
Ópio de inferno em vez de paraíso?...
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Como é que em dor genial eu me eternizo?

Nem ópio nem morfina. O que me ardeu,
Foi álcool mais raro e penetrante:
É só de mim que ando delirante ---
Manhã tão forte que me anoiteceu.

domingo, março 08, 2009

Ligada à terra...

Tarde de sol dedicada à terra e ao rio...


Sou Filha das Ervas (Amália Rodrigues)

Trago o alecrim,
Trago o saramago,
Cheira-me a jasmim
O resto que trago.
Trago umas mezinhas
Para o coração
Feitas das ervinhas
Que apanhei no chão.

Sou filha das ervas,
nelas me criei
comendo as azedas
todas que encontrei.
Atrás das formigas
Horas que passei,
Sou filha das ervas
E pouco mais sei.

Rosa desfolhada
Quem te desfolhou,
Foi a madrugada
Que por mim passou.
Foi a madrugada
Que passou vaidosa,
Deixou desfolhada
A bonita rosa.

Ramos de salgueiro,
Terra abrindo em flor,
Amor verdadeiro
É o meu amor.
Papoila que gira
No trigo doirado,
Menina bonita,
rainha do prado.




Lavava no Rio, Lavava (Amália Rodrigues)

Lavava no rio, lavava
Gelava-me o frio, gelava
Quando ia ao rio lavar
Passava fome, passava
Chorava, também chorava
Ao ver minha mãe chorar.
---
Cantava também, cantava
Sonhava, também sonhava
E na minha fantasia
Tais coisas fantasiava,
Que esquecia que chorava,
Que esquecia que sofria.
---
Já não vou ao rio lavar
Mas continuo a chorar,
Já não sonho o que sonhava
Se já não lavo no rio,
Por que me gela este frio
Mais do que então me gelava?
---
Ai minha mãe, minha mãe
Que saudades desse bem
Do mal que então conhecia,
Dessa fome que eu passava,
Do frio que me gelava
E da minha fantasia.
---
Já não temos fome mãe
Mas já não temos também
O desejo de a não ter.
Já não sabemos sonhar,
Já andamos a enganar
O desejo de morrer.




... as nossas raízes tem mesmo que ser cuidadas!

quinta-feira, março 05, 2009

Gostar de ti é um poema que não digo...

A poesia de Manuel Alegre casa com a música de José Nisa, sob o melodioso altar das palavras mais portuguesas que escutamos da boca do Carlos do Carmo... Uma Flor de Verde Pinho (Portugal - 1976)



Eu podia chamar-te pátria minha,
dar-te o mais lindo nome português,
podia dar-te um nome de rainha,
que este amor é de Pedro por Inês...

Mas não há forma, não há verso, não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo,
que não há taça amor para este vinho,
não há guitarras, nem cantar de amigo
não há flor, não há flor de verde pinho.


Não há barco, nem trigo, não há trevo,
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.


Mas não há forma, não há verso, não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo,
que não há taça amor para este vinho
não há guitarras, nem cantar de amigo
não há flor, não há flor de verde pinho.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Vinho do Porto... de Portugal, pois tá claro!...

Palavras de Carlos Paião, na voz dos Donna Maria...



Primeiro a serra semeada terra a terra
Nas vertentes da promessa
Nas vertentes da promessa
Depois o verde que se ganha ou que se perde
Quando a chuva cai depressa
Quando a chuva cai depressa

E nasce o fruto quantas vezes diminuto
Como as uvas da alegria
Como as uvas da alegria
E na vindima vão as cestas até cima
Com o pão de cada dia
Com o pão de cada dia

Suor do rosto pra pisar e ver o mosto
Nos lagares do bom caminho
Nos lagares do bom caminho
Assim cuidado faz-se o sonho e fermentado
Generoso como o vinho
Generoso como o vinho

E pelo rio vai dourado o nosso brio
Nos rabelos duma vida
Nos rabelos duma vida
E para o mundo vão garrafas cá do fundo
De uma gente envaidecida
De uma gente envaidecida

Vinho do Porto
Vinho de Portugal
E vai à nossa
À nossa beira mar
À beira Porto
À vinho Porto mar
Há-de haver Porto
Para o nosso mar

Vinho do Porto
Vinho de Portugal
E vai à nossa
À nossa beira mar
À beira Porto
À vinho Porto mar
Há-de haver Porto
Para o desconforto
Para o que anda torto
Neste navegar

Por isso há festa~, não há gente como esta
Quando a vida nos empresta uns foguetes de ilusão.
Vem a fanfarra e os míudos, a algazarra
Vai-se o povo que se agarra pra passar a procissão
E são atletas, corredores de bicicletas
E palavras indiscretas na boca de algum rapaz
E as barracas, mais os cortes nas casacas
Os conjuntos, as ressacas e outro brinde que se faz.

Vinho do Porto vou servi-lo neste cálice
Alicerce da amizade em Portugal,
É o conforto de um amor tomado aos tragos,
Que trazemos por vontade em Portugal
Se nós quisermos entornar a pequenez,
Se nós soubermos ser amigos desta vez,
Não há champanhe que nos ganhe,
Nem ninguém que nos apanhe,
Porque o vinho é português!

segunda-feira, março 31, 2008

É urgente mudar...



Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer

Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer

Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?

Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa posturaAté quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ser saco de pancada?

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante

Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
É tudo flagrante

(Refrão x2)

A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário

(Refrão x2)

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco

A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você.

Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem q'eu seja educado, q'eu ande arrumado q'eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá

Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar

Escola, esmola
Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não

(Refrão x2)

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

(Refrão)

Até quando?...


*Gabriel, o Pensador*

sábado, março 29, 2008

Gritos Mudos, chamando a atenção...

Há qualquer coisa - Xutos e Pontapés

Há qualquer coisa que se esconde em ti
Que me seduz e dá cabo de mim
Eu não sei, nunca sei bem o que é
(Tu sabes sim mas não queres ver)
És como a praia, mudas com a maré
(Não importa se a queres ter)

Mas se tu vais e vens
Como as ondas do mar
Não sei com que posso contar

Se um dia há sol no outro há-de chover?
Se te encontrar é para te perder?
Eu não sei nunca sei como será
(Tu sabes sim mas não queres ver)
És como o tempo, logo se verá
(Não importa se a queres ter)

Mas se tu vais e vens
Como as ondas do mar
Não sei com que posso contar
Vai e vem traz o que tens melhor
Vai e vem dá-me esse estranho amor

quarta-feira, março 26, 2008

Estados da alma I...

Valsinha
by Chico Buarque / Vinícius de Morais

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar

E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz...